O ex-secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo (Republicanos) afirmou que a CPI da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) não trouxe nada novo contra ele e negou ter feito qualquer acordo irregular com empresas investigadas. Em entrevista após depor à comissão nesta quarta-feira (14), ele defendeu os pagamentos feitos sem licitação durante sua gestão, criticou o relatório preliminar apresentado pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), quatro dias antes do primeiro turno, e classificou como misoginia as perguntas sobre a chamada “mulher da SES”.
“Não tem nada de novo. Nada que não tenha sido investigado pela Deccor, nada que não tenha sido investigado pelo Tribunal de Contas ou pelo Ministério Público”, disse, citando a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção. Segundo ele, até hoje nenhuma irregularidade foi comprovada, e ele não é indiciado nem investigado em nenhuma operação. Gilberto comandou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) de 2019 a 2026, no governo Mauro Mendes, e disse que decidiu responder às perguntas em vez de usar o direito de ficar em silêncio.
O ex-secretário questionou a escolha do momento. “Por que alguém apresenta um relatório preliminar quatro dias antes de uma eleição? Quem faz o relatório de uma comissão parlamentar de inquérito é o relator, não é presidente”, afirmou. Para ele, a CPI revisita fatos de cinco anos atrás em pleno período eleitoral. Gilberto foi candidato a deputado estadual e não se elegeu. Disse que a exposição na comissão teve reflexo na campanha, mas que não atribui só a isso o resultado.
Sobre os mais de R$ 1,1 bilhão em pagamentos indenizatórios, modalidade usada sem licitação e sem contrato, Gilberto afirmou que a prática já existia em governos anteriores, amparada por decretos, e que foi ele quem informou o Ministério Público de que ela ocorria na SES. Ele deu o exemplo de um hospital que precisa de um medicamento fora do estoque para liberar um paciente internado. “O diretor do hospital vai fazer uma cotação e vai comprar sem a licitação, para salvar o paciente. Isso é obrigação”, disse.
O ex-secretário admitiu ter contrariado recomendações da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Segundo ele, parte dessas orientações era burocrática e não considerava a situação do paciente. “Algumas coisas você acompanha dentro do possível; em outras, discorda e faz o que tem que fazer. Nunca fui um secretário com medo de tomar decisões.”
Perguntado sobre o contato com empresas ouvidas pela CPI, Gilberto disse que pode ter se reunido com representantes delas, mas sempre na presença de outras pessoas, como na sala de situação de 14 integrantes criada durante a pandemia. “Jamais sentei para fazer algum acordo não republicano com qualquer empresa ou recebi qualquer benefício. Saio mais pobre desse cargo do que entrei”, afirmou. Ele disse não temer um eventual pedido de indiciamento e lembrou que suas contas do período da pandemia foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.
A “mulher da SES”, pessoa que, segundo denúncias citadas na CPI, teria poder sobre contratações e pagamentos na secretaria, foi o ponto em que o ex-secretário foi mais duro. Ele afirmou que quem acredita na existência dela deveria dizer quem é, chamou a insinuação de misoginia e disse que uma denúncia anônima acabou atingindo a imagem de uma servidora dedicada. “Nossa Secretaria de Saúde tem mais de 4,5 mil mulheres valorosas que trabalham muito”, disse.
Gilberto também negou articulação para continuar no governo. Disse ser amigo pessoal do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito no dia 4, mas que a escolha da equipe cabe ao governador e não pretende indicar nomes.
Wilson Santos rebateu as críticas na mesma tarde. O deputado afirmou que qualquer integrante de CPI pode apresentar parecer próprio e que o ex-secretário não explicou o aumento dos pagamentos indenizatórios depois da pandemia nem os mais de R$ 140 milhões pagos ao grupo Einstein. A CPI tem prazo até janeiro para concluir os trabalhos.
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