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Ex-prefeito explica dinheiro e arma encontrados em casa e questiona operação a nove dias da eleição
O ex-prefeito de Pontes e Lacerda Alcino Pereira Barcelos (PL), candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, afirmou nesta sexta-feira (25) que o dinheiro e a arma encontrados durante busca e apreensão em sua casa não têm relação com irregularidades e atribuiu motivação política à operação do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A ação ocorreu a nove dias do primeiro turno.
"Hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando dez dias pra eleição", afirmou Barcelos em vídeo publicado nas redes sociais.
O candidato disse estar em terceiro ou quarto lugar nas pesquisas eleitorais e questionou a realização da operação neste momento da campanha. "Por que não foi noventa dias antes, quando dá tempo de se defender? É isso que me deixa triste com esse país nosso. Usando a Justiça pra fazer injustiça", declarou.
A busca foi autorizada judicialmente dentro de investigação sobre contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024, período que abrange a gestão de Barcelos, encerrada em dezembro de 2024.
Ao comentar a arma encontrada pelos agentes, o ex-prefeito afirmou que se trata de uma garrucha calibre 28 recebida do pai e mantida como relíquia. Segundo ele, a arma estava sem munição e não há outras armas na residência.
Barcelos também confirmou que havia dinheiro no imóvel. "Não tava escondido. E se fosse um dinheiro sujo, não tava na minha casa", afirmou. Contudo, ele não informou no vídeo o valor encontrado nem explicou a origem do dinheiro.
Barcelos declarou ainda que nunca havia sido ouvido em processo e afirmou não responder a nenhum.
As medidas executadas nesta sexta-feira foram determinadas pela Justiça. Além das buscas, foram autorizados acesso a dados telemáticos, quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro e indisponibilidade de bens, direitos e valores. A operação conta com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Durante a gravação, Barcelos comparou a situação à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Olha o que tão fazendo com o presidente Bolsonaro, agora fazendo com a gente", afirmou.
O ex-prefeito também criticou o horário da operação e ressaltou que não houve prisão.
Barcelos defendeu ainda a Concretubos Pré-Moldados Ltda., empresa citada na investigação. "Eu tenho pena mesmo é da Concretubos, uma empresa pequena que sempre participou de pregão. Se fosse pelo menos adesão de ata, registro de preço, coisa parecida. Foi pregão, todo mundo podia participar", declarou.
A investigação do Naco envolve 12 ordens judiciais cumpridas em Pontes e Lacerda contra agentes públicos e empresários. Segundo o MPMT, a apuração envolve contratos firmados pelo município entre 2017 e 2024 e possíveis irregularidades em procedimentos licitatórios.
A Concretubos assinou sete contratos com a prefeitura, conforme informações divulgadas sobre a operação. Cinco deles, celebrados entre 2022 e 2023, somaram aproximadamente R$ 4,7 milhões. Atualizado, o montante chega a R$ 5,78 milhões.
O Ministério Público apura ainda possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e pessoas relacionadas às empresas investigadas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores.
Outra frente da investigação envolve a aquisição da Estância Rancho Fundo I por Barcelos. Segundo o MPMT, a negociação previa pagamento com 100 cabeças de gado Nelore, mas a apuração não encontrou registros oficiais de movimentação do rebanho compatíveis com a transação.
As investigações estão em andamento e não há conclusão sobre responsabilidade criminal dos envolvidos.
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