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Política Sábado, 19 de Setembro de 2026, 10:16 - A | A

Sábado, 19 de Setembro de 2026, 10h:16 - A | A

BASTIDORES DE VG

Sob processo que pode chegar à cassação, Rogerinho promete revelar bastidores da política

Em vídeo no Instagram, vereador afirma que não sabia se a imprensa "era paga ou verdadeira" e promete falar mais sobre bastidores da política

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

“Não sabia se a imprensa era paga ou verdadeira”, diz Rogerinho após virar alvo de processo

“Não sabia se a imprensa era paga ou verdadeira”, diz Rogerinho após virar alvo de processo

O vereador Rogerinho Dakar (PSDB) prometeu revelar os bastidores da política de Várzea Grande. Em vídeo publicado no Instagram na noite de sexta-feira (18), ele disse que ficou calado por desconfiar da imprensa, "porque eu não sabia se a imprensa era paga ou se era verdadeira", e avisou que passará a falar. A promessa vem dois dias depois de a Comissão de Ética da Câmara dar prosseguimento à apuração que pode terminar em cassação do mandato dele. No vídeo, porém, o parlamentar não citou o caso que o levou até ali, o das imagens em que aparece recebendo maços de dinheiro. Falou de um boato antigo de campanha.

O relato tem pouco mais de dois minutos. Nele, o vereador conta que, na primeira disputa eleitoral, adversários espalharam no bairro São Gonçalo que ele teria deixado a região e ido morar em um condomínio fechado. "Eu não mudei de São Gonçalo, estou no mesmo lugar aqui", afirma, dizendo morar no mesmo endereço há 24 anos. Em seguida, generaliza: "É muita sacanagem e covardia com o povo, principalmente com quem é candidato". Ao fim, pede desculpas aos veículos de imprensa que classificou como verdadeiros e convida os seguidores a acompanhar as próximas publicações.

A apuração na Câmara começou a andar na quinta-feira (17). A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar se reuniu pela manhã, decidiu dar prosseguimento ao caso e sorteou o relator, o vereador Cleyton Nassarden Guerra, o Sardinha (MDB). Na mesma sessão, o colegiado recebeu do Ministério Público de Mato Grosso um material com cerca de 1,4 mil páginas sobre o episódio. O parlamentar tem dez dias para apresentar defesa prévia, prazo que vence no fim de setembro.

Depois disso, o relator elabora parecer e leva o resultado ao plenário, onde os 23 vereadores decidem o desfecho. A cassação do mandato está entre as possibilidades. O Ministério Público recomendou que o Legislativo analisasse o caso, mas não afirmou ter havido quebra de decoro nem pediu punição.

As imagens que motivaram tudo isso circularam em 10 de agosto. Elas mostram Rogerinho sentado a uma mesa, diante de um homem não identificado, recebendo um maço de cédulas e guardando o dinheiro no bolso da calça. Outros maços aparecem sobre a mesa, e há ainda a entrega de uma sacola com dinheiro. Na época, ele comandava o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), do qual saiu em 19 de agosto. A origem e a finalidade dos valores não foram esclarecidas pelo vídeo. Em manifestação anterior, o vereador atribuiu o dinheiro a uma negociação comercial particular e negou irregularidade. A prefeitura abriu sindicância sobre o caso.

Rogerinho está no terceiro mandato na Câmara e foi líder do Executivo na Casa

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