Fotografia: Angelo Varela

Deputado leva plano de governo de Abílio à tribuna e cobra moradia popular em Cuiabá
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) usou a tribuna da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (2) para cobrar do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), a promessa de construir 10 mil casas populares em quatro anos. Com o plano de governo apresentado na campanha de 2024 em mãos, o parlamentar afirmou que, passados 20 meses da posse, a prefeitura não entregou nenhuma unidade e passou a demolir moradias na região dos conjuntos habitacionais Senador Jonas Pinheiro.
A página 74 do documento apresentado por Brunini na campanha descreve o programa Casa Nova e prevê a construção de 10 mil moradias em parceria com recursos federais e estaduais, com garantia de água, esgoto, energia e pavimentação, além da geração de empregos na construção civil. O plano trazia na capa o então candidato a prefeito e sua vice, Vânia Rosa.
"Ele já concluiu 41% do seu mandato. Até agora não entregou nenhuma casa, zero de entrega, e agora ele começou a derrubar, a destruir casas de gente pobre, de gente humilde e sofrida", disse Wilson Santos, ex-prefeito de Cuiabá. Segundo o deputado, moradores o procuraram na semana passada quando as máquinas chegaram à região, e ele foi ao local.
O parlamentar citou prefeitos que administraram Cuiabá desde a década de 1960 e afirmou não conhecer medida semelhante na cidade. Mencionou Frederico Campos, Bento Lobo, Dante de Oliveira, Roberto França, Chico Galindo, Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro, entre outros, e disse que, em 61 anos vivendo na capital, nunca soube de um chefe do Executivo municipal que tivesse ordenado a derrubada de casas.
"É a primeira vez, como professor de História, e com mandato parlamentar, que eu ouço falar que na história de Cuiabá, um prefeito, ao invés de construir casas para os que precisam delas, manda derrubar as casas. Prefeito Abílio, isso não é um gesto cristão, isso não é um comportamento cristão", concluiu.
Na quinta-feira passada (27), uma força-tarefa de fiscalização da prefeitura demoliu 19 edificações nos loteamentos Senador Jonas Pinheiro e Residencial Ilza Therezinha Picoli Pagot. Segundo o município, as construções estavam desabitadas e haviam sido erguidas de forma irregular em terreno público, em área com nascente e risco de desabamento. Demolições semelhantes já haviam ocorrido em abril de 2025, também em imóveis ainda não ocupados.
A secretária municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, informou que as ações seguem orientações discutidas com o Ministério Público e que a fiscalização encontrou na área construções ligadas a famílias em situação de vulnerabilidade e edificações de grande porte e padrão construtivo elevado. O Ministério Público de Mato Grosso havia notificado o município para que adotasse providências para desocupação das duas áreas verdes.
No dia seguinte às demolições, Brunini se reuniu com a promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, da 17ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, para tratar das próximas medidas contra novas ocupações. O Ministério Público informou que continuará acompanhando o caso.
Na mesma semana, após uma desocupação no bairro Vale do Sonho, o prefeito atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o estímulo indireto às invasões de áreas públicas, privadas e de preservação permanente em Cuiabá e afirmou que a operação cumpria decisão judicial.
A gestão municipal criou, em julho de 2025, o cadastro do programa Casa Cuiabana, que reúne os projetos de habitação de interesse social do município. Em maio do ano passado, Brunini anunciou a construção de 700 casas populares em parceria com o governo federal e empreiteiras. Também estão em andamento 692 apartamentos do Minha Casa Minha Vida, sendo 500 no Jardim Comodoro e 192 no Tijucal, com previsão de entrega anunciada pela prefeitura entre agosto e setembro deste ano.
Wilson Santos citou mais de 85 mil inscrições para o conjunto de 700 unidades. No encerramento do cadastro do Casa Cuiabana, em 19 de setembro de 2025, a prefeitura informou que mais de 75 mil pessoas haviam se inscrito. A secretaria responsável informa que a habilitação preliminar não garante a contemplação, pois os candidatos ainda passam por sorteio, comprovação documental e análise da Caixa Econômica Federal.
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