30 de Outubro de 2026
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Sem Rótulo Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 13:59 - A | A

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RASTRO DOS MILHÕES

Holdings familiares e haras: o patrimônio dos investigados do TCE-MT

Três conselheiros e o consultor jurídico-geral montaram empresas que, segundo a investigação, podem ter recebido os valores pagos fora da folha

TCEMT

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Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar, afastados nesta quinta-feira (29) do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), e o consultor jurídico-geral Grhegory Maia, preso, têm em comum holdings patrimoniais familiares. Segundo a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), há indícios de que parte do dinheiro investigado na Operação Tomada de Contas foi usada para criar, manter ou ampliar estruturas societárias “potencialmente utilizadas para ocultação ou dissimulação de ativos”.

O caso que mais chama atenção é o de Grhegory. Além de uma holding familiar, ele abriu em 22 de julho de 2025 a Maia Reining Horses, empresa de criação de cavalos e comércio de embriões e sêmen. Para a investigação, o negócio estaria sendo usado para esconder valores, porque não há preço de referência público nesse mercado. A holding dele, segundo a decisão, recebeu aportes com o dinheiro pago pelo TCE e é administrada pela sogra. Antes, era administrada pela esposa de outro preso, o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva. O patrimônio do consultor passou de R$ 1,84 milhão em janeiro para R$ 7,61 milhões em outubro de 2025.

Maluf, que segundo a investigação recebeu R$ 10,64 milhões, tem uma holding patrimonial com a esposa que comprou imóveis no mesmo período dos pagamentos. Novelli, com R$ 8,87 milhões, tem uma holding com os cinco filhos. Alencar, com R$ 8,18 milhões, montou uma holding com a mãe e um irmão já falecido, com capital de R$ 3,47 milhões.

A investigação também encontrou o caminho inverso. Gustavo Fernandes da Silva teria recebido R$ 15,89 milhões, mas a PF localizou apenas dois veículos registrados em nome dele. Para a decisão, os valores “não encontrariam correspondência patrimonial conhecida até o momento”. Adriangelo Barros Antunes repassou parte do que recebeu à esposa, à filha e a uma terceira pessoa.

Por isso, além da suspensão das funções, o STJ proibiu Maluf, Novelli, Alencar e o secretário de TI Olavo Lage Filho de abrir empresas, alterar sociedades, integralizar capital e vender bens de alto valor. O limite é R$ 50 mil, acima do qual qualquer compra ou venda depende de autorização judicial. O sequestro de bens dos investigados alcança cerca de R$ 145 milhões. As medidas são cautelares e não significam condenação.

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