A mãe de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, publicou um vídeo nas redes sociais no sábado (17) a caminho do Brasil. Jatir Ramos mora em Portugal e viajou para se despedir da filha. Lurdes morreu na sexta-feira (16) durante uma cirurgia plástica no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. No vídeo, de cerca de um minuto, a mãe confirma a morte da filha após uma complicação na cirurgia e pede orações. O sepultamento está previsto para este domingo (18), com saída do cortejo às 15h.
"Eu não preciso falar pra vocês que é um momento de muita dor", disse Jatir. A mãe contou que gravou o vídeo para dar uma satisfação a amigos e seguidores, principalmente aos que a conhecem de Portugal e talvez não soubessem quem era Lurdes. "Eu tô indo pro Brasil pra me despedir da minha filha, e eu peço que me ajudem com orações nesse momento difícil", afirmou. Na legenda, escreveu apenas "Só Deus! Muita dor".
O velório começou às 18h de sábado, na Capela Jardins, em Cuiabá. Também no sábado, o marido, Juan Pablo Padilha, publicou uma despedida em que diz que a cirurgia era um sonho da esposa e que ele nunca foi a favor do procedimento. O casal tem dois filhos.
Lurdes passava por uma lipoescultura e pela colocação de próteses mamárias quando sofreu uma parada cardiorrespiratória. Segundo a defesa do médico, a equipe interrompeu a cirurgia e tentou reanimá-la por cerca de duas horas.
O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e foi registrado como morte a esclarecer. A Polícia Civil pediu necropsia à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e aguarda os laudos. De acordo com o boletim de ocorrência, os exames devem ajudar a definir a causa da morte e a esclarecer se houve falhas no atendimento médico e hospitalar.
A cirurgia foi feita pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza. Ele tem inscrição regular no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), mas não possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica. A defesa, conduzida pelo advogado Alex Cardoso, afirma que o registro não é exigido para operar, que a paciente passou pelas avaliações pré-operatórias e que tudo indica uma complicação súbita, descrita na literatura médica. Em vídeo publicado no sábado, o advogado disse que as agressões e ameaças de morte que o médico relata ter sofrido no hospital não partiram da família.
O CRM-MT abriu sindicância de ofício para apurar o atendimento. Segundo o conselho, a apuração corre em sigilo e não representa condenação prévia do profissional.
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