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Eleições Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026, 09:35 - A | A

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AUTUAÇÕES AMBIENTAIS

Candidatos de TO, GO e RO somam R$ 3,2 milhões em multas do Ibama aplicadas em MT

Maurício Buffon, candidato a deputado federal pelo PL tocantinense, foi autuado em 2017 por manter atividade agropecuária sem licença em 595 hectares da Fazenda Buffon, em Feliz Natal; valor supera o de qualquer candidato mato-grossense no levantamento d

Rojane Marta/Fatos de MT

Foto: Zack/Ibama

IBAMA

Quatro candidatos de Tocantins, Goiás e Rondônia acumulam R$ 3.209.550 em seis autos ambientais lavrados pelo Ibama dentro de Mato Grosso. O maior deles, de R$ 3.010.500, está em nome de Maurício Buffon, candidato a deputado federal pelo PL do Tocantins, e se refere à Fazenda Buffon, em Feliz Natal, a 550 quilômetros de Cuiabá.

O valor supera em quase duas vezes a maior multa identificada entre os candidatos de Mato Grosso no mesmo levantamento da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional), de R$ 1,51 milhão, aplicada a Antonio Galvan (Avante), candidato ao Senado.

O levantamento da Ascema cruza os CPFs dos candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as bases de autuações do Ibama e do ICMBio. Em todo o país, a entidade identificou 240 candidatos com 524 autos de infração ambiental, que somam R$ 213,5 milhões. Os registros classificados como cancelados ou anulados foram excluídos da pesquisa.

O auto de maior valor em Mato Grosso foi lavrado contra Buffon em 20 de fevereiro de 2017. Segundo a descrição da infração, ele mantinha atividade agropecuária considerada potencialmente poluidora em 595,054 hectares da Fazenda Buffon, sem licença dos órgãos ambientais.

Buffon aparece no levantamento com quatro autos que, juntos, somam R$ 3.090.100. Além da autuação em Feliz Natal, ele recebeu três multas em Monte do Carmo, no Tocantins.

Em 2013, foi multado em R$ 5 mil por não dar destinação adequada a embalagens vazias de agrotóxico. Em outubro de 2023, recebeu outro auto, de R$ 41 mil, por manter em depósito 125 quilos de produtos sem registro no Brasil, entre eles Abifem Prime, Triafol, Letal Rex e Mosqfly.

No mesmo período, foi autuado em R$ 33.600 por armazenar 320 litros de clorfenapir vencidos havia mais de seis meses. Com R$ 3,09 milhões em autos, Buffon aparece entre os candidatos com maiores valores no levantamento nacional.

Outros três candidatos de fora de Mato Grosso também têm autuações registradas no Estado.

João Alberto Vieira Rodrigues, candidato a deputado estadual pelo PRD de Goiás, tem dois autos lavrados em junho de 2020 na Fazenda Santa Terezinha, em Cocalinho.

Um deles, de R$ 110 mil, refere-se ao desmatamento de 109 hectares de cerrado fora da reserva legal sem autorização. O segundo, de R$ 80 mil, foi aplicado pelo desmatamento de outros 15,58 hectares dentro da reserva legal, também sem autorização.

Cleviane Moreira Leite, candidata a deputada federal pelo Novo de Rondônia, foi autuada duas vezes em Juara, em outubro e novembro de 2023.

O primeiro auto, de R$ 5.500, aponta exploração da imagem de um papagaio mantido irregularmente em cativeiro, chamado Bicudo. O segundo, de R$ 550, foi aplicado por descumprimento de notificação do Ibama para retirar da internet vídeos e textos relacionados à criação da ave e de outros animais da fauna nativa.

Wesley Correa de Toledo, candidato a deputado estadual pelo PT de Goiás, tem um auto de R$ 3 mil, lavrado em setembro de 2021, por pescar com tarrafa, petrecho proibido, em Novo Santo Antônio.

Os seis autos contra candidatos de outros estados somam R$ 3.209.550 e foram lavrados em Feliz Natal, Cocalinho, Juara e Novo Santo Antônio.

Esses municípios se juntam a Cuiabá, Vila Rica, Querência, Vera, Barra do Bugres e outras cidades que aparecem no levantamento de autuações envolvendo candidatos das eleições de 2026.

A Ascema ressalta que o auto de infração representa a abertura de um procedimento administrativo e pode ser objeto de defesa e recurso. O levantamento não informa se as multas foram pagas, reduzidas ou contestadas posteriormente. Os valores considerados são os registrados no momento da autuação, sem correção monetária.

Vale destacar que a existência de uma autuação ambiental, por si só, não representa condenação criminal nem gera inelegibilidade.

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