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Eleições Domingo, 20 de Setembro de 2026, 09:28 - A | A

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USO DA MÁQUINA SOB APURAÇÃO

MP Eleitoral abre investigação contra Alessandra por propaganda em grupo do CRAS

Prefeitura terá de identificar quem administrava o grupo, e cópias do caso vão ao Ministério Público estadual para apurar improbidade

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

Alessandra Ferreira Cróco de Souza

O Ministério Público Eleitoral abriu procedimento para investigar o envio de propaganda da candidata a deputada estadual Alessandra Ferreira Cróco de Souza (Podemos) em um grupo de WhatsApp mantido por um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Rondonópolis. Primeira-dama do município, Alessandra comandou a Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social antes de deixar o cargo para disputar a eleição. A portaria foi assinada em 16 de setembro pela procuradora regional eleitoral auxiliar da propaganda, Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani.

Segundo o documento, um convite para o lançamento oficial da campanha de Alessandra foi enviado em 26 de agosto, às 19h25, no grupo "Cras Alfredo de Castro 1 - Informações Gerais 2026".

A própria Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social confirmou à Justiça Eleitoral que o grupo é um canal funcional usado para comunicação direta com pessoas atendidas pela unidade, entre elas beneficiários de programas sociais.

A Procuradoria Regional Eleitoral considera que o uso de cadastros, telefones institucionais ou canais oficiais destinados ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade para divulgação de propaganda pode, em tese, configurar abuso de poder político e uso indevido da estrutura administrativa.

A portaria cita a legislação eleitoral que proíbe agentes públicos de ceder ou utilizar bens e serviços da administração em benefício de candidatos. O documento registra ainda que Alessandra comandou recentemente a Secretaria de Promoção e Assistência Social e, por isso, mantinha vínculo com a estrutura e os servidores da pasta.

A secretaria terá de apresentar a relação nominal dos servidores que trabalhavam no CRAS em agosto, identificar quem administrava o grupo de WhatsApp no dia da publicação e entregar os protocolos internos sobre o uso de aplicativos de mensagens.

A Procuradoria também quer identificar se existe, nos registros funcionais, servidor com o mesmo primeiro nome utilizado pelo perfil responsável pelo envio da propaganda. Alessandra foi notificada e terá cinco dias para apresentar esclarecimentos.

Cópias do procedimento serão encaminhadas ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Rondonópolis, para análise de eventual infração administrativa relacionada aos servidores envolvidos.

O caso teve origem em uma denúncia apresentada pelo aplicativo Pardal e passou inicialmente pela 46ª Zona Eleitoral de Rondonópolis. O juiz encaminhou o procedimento à Procuradoria Regional Eleitoral porque as ações relacionadas às candidaturas a deputado estadual são julgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

Na quarta-feira (16), a Procuradoria também apresentou representação ao TRE-MT sobre o episódio. Entre os pedidos estão a identificação dos dados vinculados à linha telefônica usada no envio e a proibição de novas publicações de material eleitoral no grupo, sob pena de multa diária.

O procedimento aberto pelo Ministério Público busca reunir informações para decidir se há elementos para adoção de medidas na Justiça Eleitoral. Até o momento, não houve conclusão sobre eventual responsabilidade de Alessandra ou dos servidores envolvidos.

 

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