A candidata ao governo de Mato Grosso Natasha Slhessarenko (PV) afirmou nesta terça-feira (22) que não pretende aproximar nem afastar sua campanha da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final da disputa. "Não tem que se grudar nem se isolar", disse a médica, ao ser questionada sobre a estratégia dos últimos dias antes do primeiro turno. Ela lembrou que disputa a eleição por uma frente que reúne oito partidos e afirmou que o plano é intensificar o contato direto com eleitores. "É só rua, rua, rua, voto, voto, voto."
Candidata pouco conhecida fora do meio médico até o início da campanha, Natasha descreveu uma rotina de abordagens em pontos de circulação. "Todo dia eu amanheço e anoiteço numa rotatória, num sinal, em algum lugar", afirmou, em entrevista após a sabatina promovida pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) e por entidades do setor, em Cuiabá.
A candidata reagiu com dureza ao ser perguntada sobre falas de homens que sustentam que mulheres não sabem votar. "É algo inimaginável, em pleno século XXI", respondeu, citando a variação do argumento segundo a qual mulheres casadas acompanhariam o voto do marido. "Isso é inadmissível. Não consigo imaginar um ser pensante que aja dessa forma."
Ela é a única mulher entre os candidatos ao governo do Estado neste ano. A disputa tem ainda Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição, Wellington Fagundes (PL) e Maurício Coelho.
Ao comentar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), provocada pelas investigações sobre o caso do Banco Master e as relações entre ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março, Natasha falou em decepção e cobrou punição. "Quem errou tem que pagar. Ninguém está acima da lei", disse. Em seguida, voltou à questão de gênero: "Vocês viram alguma governadora, deputada, senadora, ministra, alguma mulher envolvida nesse escândalo? Pois é, são só homens".
Os ministros citados nas apurações negam irregularidades. As investigações tramitam no próprio Supremo.
A sabatina foi organizada pelo CRM-MT, pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Sindessmat), pelo Sindicato dos Médicos (Sindimed) e pela Associação Mato-grossense de Análises Clínicas (Amac). Também participaram Pivetta e Wellington Fagundes, além de candidatos ao Senado. O primeiro turno é no dia 4 de outubro.







