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Geral Quinta-feira, 01 de Outubro de 2026, 16:19 - A | A

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DE MT PARA SALVADOR

VLT que Mato Grosso não usou já transportou 170 mil passageiros na Bahia

Composições que ficaram 12 anos paradas em Várzea Grande rodam no Subúrbio Ferroviário baiano enquanto Cuiabá espera o BRT prometido para dezembro

Rojane Marta/Fatos de MT

Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

VLT

Os trens que Mato Grosso comprou em 2012 para a Copa do Mundo e nunca colocou nos trilhos transportaram 171 mil passageiros em três meses de operação em Salvador, segundo balanço da Companhia de Transportes da Bahia divulgado em 25 de setembro. As composições rodam em fase assistida, sem cobrança de tarifa, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana, e na segunda-feira 21 de setembro o governo da Bahia abriu a parada Itacaranha, de frente para a Baía de Todos-os-Santos. As imagens da estação lotada no pôr do sol viralizaram dois dias depois e chegaram ao público de Cuiabá e Várzea Grande, onde o mesmo material ficou estacionado num pátio por mais de uma década antes de ser vendido por R$ 793,7 milhões, em julho de 2024, pelo então governador Mauro Mendes (União Brasil). O dinheiro, segundo o acordo, financiaria o BRT que o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) promete entregar, no primeiro trecho, até dezembro.

A média é de cerca de 4 mil passageiros por dia desde 1º de setembro, e o gerente de operações da companhia baiana, Vinícius Vasconcelos, projetou fechar o mês com 200 mil pessoas transportadas. Três trens circulam ao mesmo tempo, em três rotas: Calçada a São Joaquim, Calçada a Marisqueiras e Itacaranha a Marisqueiras. A operação com passageiros começou no fim de junho entre Lobato e a Estação Calçada, foi ampliada em 1º de setembro até a parada Marisqueiras, em São João do Cabrito, e agora alcança Itacaranha. O percurso entre São João do Cabrito e a Calçada leva cerca de 20 minutos, com paradas em União, Lobato, Pedreira e Baixa do Fiscal. O serviço funciona de segunda a sexta, das 6h30 às 16h, e em sábados alternados pela manhã. Os vagões receberam um compartimento para transporte de marisco e pescado, pedido antigo das marisqueiras da região. O trecho 1 estava com 73% das obras concluídas em 10 de setembro, e o projeto completo prevê 43,3 quilômetros e 49 paradas, com integração ao metrô e à nova rodoviária de Salvador.

São 40 composições de sete carros cada, modelo Urbos 100, fabricadas pela espanhola CAF, com capacidade para 400 passageiros por trem. Chegaram a Cuiabá em 2014 e nunca operaram. O VLT da Grande Cuiabá começou a ser construído em 2012 para atender à Copa, ficou paralisado a partir de 2014 em meio a disputas contratuais e judiciais com o consórcio construtor e acabou substituído pelo BRT na gestão Mendes. Os trilhos já assentados foram arrancados, serviço que custou cerca de R$ 89 milhões, segundo o senador Carlos Fávaro (PSD). Antes de seguirem para a Bahia, os trens passaram por reforma na fábrica da CAF em Hortolândia, no interior de São Paulo, e viajaram de carreta até Salvador numa operação de R$ 11 milhões paga pelo governo baiano.

O contrato de venda prevê quatro parcelas anuais, com vencimento em 31 de dezembro de 2024, 2025, 2026 e 2027, corrigidas pelo IPCA-E. Duas delas já venceram. Além dos trens, o acordo incluiu trilhos, subestações e cabeamento, o que eleva o valor total a mais de R$ 1 bilhão. Em contrapartida, Mato Grosso assumiu o pagamento de cerca de R$ 240 milhões ao Consórcio VLT e à CAF Brasil, a título de saldo contratual, medições em aberto e ressarcimento pela guarda e manutenção do material durante os dez anos em que ficou parado. O consórcio, por sua vez, desistiu de ações judiciais contra o Estado. Pelos trens, o governo mato-grossense havia pago R$ 497 milhões em 2012.

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A conta do que foi gasto em transporte sobre trilhos e asfalto na região metropolitana passa de R$ 1 bilhão só no VLT, de acordo com Fávaro, que em julho, quando os trens começaram a rodar em Salvador, afirmou que "o trabalhador merecia o VLT" e que "o que ele ganhou foi uma promessa de BRT que, no fim das contas, são ônibus". O senador, candidato à reeleição, lembrou que o primeiro contrato do BRT, de 2022, somava R$ 468 milhões e que R$ 206 milhões foram pagos antes do cancelamento, sem que nenhum trecho fosse concluído.

Pivetta sustenta que o cronograma está mantido. Em 8 de setembro, o governador disse acompanhar a obra "todo dia cobrando, num ritmo não como gostaríamos, mas está no bom caminho", e garantiu a conclusão do primeiro trecho, entre o terminal do aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, e a Avenida do CPA, em Cuiabá, até o fim do ano. O contrato com o Consórcio Integra BRT vai até 16 de fevereiro de 2027. As equipes trabalham na instalação das estações de embarque ao longo da CPA, e o segundo ramal, do Coxipó ao centro pela Avenida Fernando Corrêa da Costa, não tem data divulgada. O governador atribui a lentidão à troca de estratégia da nova empreiteira e aos contratos rompidos nas gestões anteriores.

Enquanto isso, o governo da Bahia usa a operação assistida para calibrar o sistema antes da abertura total e já anuncia a extensão até Plataforma. Em Mato Grosso, o que restou do projeto original são os R$ 793,7 milhões a receber até 2027 e um corredor de ônibus em construção há quatro anos, sob dois governos, sem um quilômetro entregue ao passageiro.

 

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