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Jurídico Terça-feira, 06 de Outubro de 2026, 16:37 - A | A

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MP RECORRE

Condenados pela morte de Zampieri pegam 68 anos, mas MP quer penas maiores

Os promotores apontam "erro ou injustiça" na fixação das penas do coronel reformado, do instrutor de tiro e do atirador que mataram o advogado em Cuiabá

Rojane Marta/Fatos de MT

MPEMT

Após júri condenar trio a 68 anos, MP recorre para aumentar penas no caso Zampieri

Após júri condenar trio a 68 anos, MP recorre para aumentar penas no caso Zampieri

O Ministério Público de Mato Grosso recorreu ao Tribunal de Justiça para aumentar as penas dos três condenados pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri. A apelação foi protocolada na segunda-feira (5) pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, três dias depois de o Tribunal do Júri de Cuiabá condenar o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, o instrutor de tiro Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o executor Antônio Gomes da Silva a penas que, somadas, chegam a 68 anos e 9 meses de prisão em regime fechado.

O recurso se baseia no artigo do Código de Processo Penal que permite contestar decisões do júri quando há "erro ou injustiça" na aplicação da pena. O MP ainda não informou quanto quer aumentar cada condenação. Isso será detalhado nas razões do recurso, que serão enviadas ao TJMT. O tribunal só analisa o pedido depois de receber essas razões e a resposta das defesas.

A maior pena ficou com Hedilerson, condenado a 25 anos. Segundo a acusação, ele deu suporte operacional ao crime e forneceu a arma. Etevaldo, apontado pelo MP como coordenador da execução, e Antônio, que fez os disparos, receberam 21 anos, 10 meses e 15 dias cada. As penas dos dois foram reduzidas por atenuantes: a idade acima de 70 anos, no caso do coronel, e a confissão, no caso do atirador.

O recurso contrasta com a avaliação dos próprios promotores logo depois do julgamento. Na madrugada de 2 de outubro, Samuel Frungilo disse que o resultado era o esperado, diante das provas, e que se havia chegado "a uma decisão justa", mas ressalvou que o MP ainda analisaria as penas antes de decidir sobre recurso. Vinícius Gahyva afirmou que os jurados "deram a resposta adequada em nome do interesse coletivo".

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Os três foram condenados por homicídio qualificado, cometido mediante paga ou promessa de recompensa, com arma de fogo de uso restrito e com recurso que dificultou a defesa da vítima. O júri, presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, durou de 29 de setembro a 2 de outubro.

As defesas também devem recorrer. A de Hedilerson sustenta que ele é inocente. A de Etevaldo vai pedir a anulação do julgamento e prisão domiciliar por problemas de saúde. A de Antônio disse ter recebido a condenação com satisfação e ainda avalia se vai recorrer.

Roberto Zampieri foi morto a tiros em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá. Segundo a tese do Ministério Público, o crime está ligado à atuação dele em uma disputa milionária por terras. Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, denunciados pelo MP como mandantes, respondem em processo separado.

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