O banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pediu nesta sexta-feira (16) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que mande abrir uma investigação criminal ampla para identificar quem vazou à imprensa áudios e conteúdos do celular apreendido pela Polícia Federal (PF). A defesa afirma que o material divulgado inclui conversas com os advogados e até o histórico de pesquisas do banqueiro em uma ferramenta de inteligência artificial. Vorcaro está preso e é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas ao Master.
A petição é assinada pelo escritório do advogado Daniel Leon Bialski, de São Paulo. Segundo a defesa, o conteúdo do celular era de conhecimento restrito da autoridade policial e passou a circular “não se sabe como e nem porque”, em “vazamentos” que os advogados chamam de seletivos. A defesa diz que Vorcaro não confirma e contesta o conteúdo do que foi publicado, porque o material pode ter sido manipulado.
Os advogados afirmam que dezenas de notícias sobre a vida pessoal do banqueiro são publicadas todos os dias. Segundo eles, a divulgação de conversas entre Vorcaro e sua defesa é ilegal por si só, porque viola o sigilo entre advogado e cliente. A petição lembra que, nos primeiros meses da investigação, quando os processos ainda corriam em segredo de justiça, chegou a ser publicada a íntegra de uma conversa de WhatsApp dele com a então noiva. Na época, o relator do caso mandou abrir procedimentos para apurar esses vazamentos.
Para a defesa, as mensagens divulgadas foram obtidas de forma ilícita e não podem ser usadas pelas autoridades para responsabilizar o banqueiro. O texto rebate quem defende abrir investigações contra Vorcaro com base no material e diz que esses pedidos atendem a “interesses eleitorais”. Para os advogados, a única consequência jurídica possível é um inquérito contra quem vazou o conteúdo. O pedido inclui agentes públicos que tiveram acesso ao celular por causa da função e terceiros que receberam as informações.
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O processo citado na petição está com Fachin desde 12 de setembro. Naquele dia, em meio à crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o presidente do STF chamou para a Presidência três petições que estavam com Mendonça: uma sobre a terceira fase da Compliance Zero, outra sobre a fraude no INSS e uma terceira que trata de suspeitas envolvendo Moraes e Vorcaro. A crise começou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF, extraído do celular do banqueiro, com mensagens e contratos que ligariam Vorcaro a Moraes. O banqueiro é investigado e não foi julgado.







