Mato Grosso ocupa a 16ª posição entre 26 estados no Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F) 2026, da Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha, e foi classificado na faixa de "pouca eficiência". O estado obteve nota 0,368, numa escala de 0 a 1, abaixo da média nacional de 0,433. O levantamento mede quanto cada governo estadual entrega em educação, saúde, infraestrutura e segurança em relação ao dinheiro que tem disponível, e o resultado de Mato Grosso é o pior do Centro-Oeste. Goiás aparece em 9º, com 0,541, e Mato Grosso do Sul em 12º, com 0,458. O Distrito Federal não entra na avaliação.
A nota fica abaixo da média em saúde e finanças. Na saúde, o estado tem 0,440 e aparece em 17º, contra média nacional de 0,494. Em finanças, que avalia endividamento e capacidade de investimento, Mato Grosso ficou em 21º, com 0,561, abaixo da média de 0,642. O melhor desempenho é em educação, com 0,594 e a 7ª posição. Infraestrutura (0,485, 14º) e segurança (0,562, 16º) ficam praticamente na média do país.
O dinheiro disponível pesa na conta. A receita corrente líquida de Mato Grosso é de R$ 9.569 por habitante, e o estado aparece em 5º lugar no componente receita, que considera arrecadação própria e dependência de transferências. Como o ranking compara resultados com recursos, quem arrecada mais precisa entregar mais para ter nota alta. O Paraná, líder do ranking com 0,734, está em 13º no quesito receita.
Os indicadores detalhados mostram onde estão os gargalos. Apenas 26,13% da malha rodoviária estadual foi avaliada como boa ou ótima em 2025. A coleta de esgoto alcançava 38,84% da população em 2022, e o abastecimento de água, 83,86%. Na saúde, o estado tem 2,38 médicos por mil habitantes e mortalidade infantil de 14,2 óbitos por mil nascidos vivos em 2024. A atenção primária cobre 86,07% da população.
Em segurança, Mato Grosso registrou 22,9 homicídios por 100 mil habitantes em 2025 e destinou 9,9% das despesas à área. Na educação, 91,6% das crianças estavam na escola no ensino fundamental e 76,29% dos jovens no ensino médio em 2022. A taxa de abandono escolar foi de 3,2% em 2024.
Nas finanças, a despesa com pessoal equivale a 43,11% da receita corrente líquida, e a dívida consolidada aparece negativa, em -14,9%, o que indica disponibilidade de caixa superior à dívida. A Previdência consome 14,5% das despesas do estado, e o Legislativo, 4,4%.
O resultado contrasta com outro estudo divulgado neste mês. No Ranking de Competitividade dos Estados, do Centro de Liderança Pública (CLP), Mato Grosso aparece em 6º lugar nacional no pilar de eficiência da máquina pública. A diferença está no que cada levantamento mede. O pilar do CLP reúne 11 indicadores, como eficiência do Judiciário, custo dos poderes em relação ao PIB, transparência, qualidade da informação contábil e oferta de serviços digitais. O ranking da Folha, por outro lado, olha para o resultado final dos serviços públicos em relação à receita.
Os dados do REE-F cobrem principalmente o período de 2022 a 2025, na gestão de Mauro Mendes (União), que deixou o governo neste ano para disputar o Senado. O atual governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), era vice na época e é candidato à reeleição.
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