O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou nesta terça-feira (6), em entrevista coletiva, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não terminaria o primeiro semestre de um novo mandato caso vença o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Abilio, o Congresso eleito no domingo (4) tem maioria de direita e teria votos suficientes para afastar o presidente. "Imagina que o Lula ganhe: ele não dura seis meses de mandato", disse.
Flávio terminou o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dois voltam a se enfrentar em 25 de outubro. Perguntado se a pequena diferença entre os candidatos e o número de abstenções preocupavam a direita, o prefeito foi direto. "Não. Não me preocupa. Eu tenho certeza: o Flávio será o próximo presidente da República. Certeza absoluta."
Abilio sustentou que o eleitor quer alternância de poder, estabilidade e crescimento econômico, e usou a composição do novo Congresso como argumento. Na avaliação dele, um presidente sem alinhamento com deputados e senadores não teria governabilidade. Como possíveis motivos para um processo de impeachment, citou as investigações envolvendo o INSS e o Banco Master. "Um monte de problemas com razões 'N' para tirar o presidente da República", afirmou.
O prefeito também listou números que, para ele, apontam crescimento do candidato do PL. Disse que Flávio perdeu no Nordeste, mas avançou na região em relação ao desempenho do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e citou um ganho de oito pontos no Ceará. Atribuiu a margem estreita à polarização do país.
Abilio somou ainda ao campo de oposição os eleitores de outros candidatos do primeiro turno. Mencionou Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), que, na leitura dele, representam rejeição ao atual governo. Afirmou que a rejeição de Lula passa de 51% e que "ninguém ganha" com esse índice.
Mesmo com a previsão de vitória, o prefeito admitiu que a disputa será difícil. "Ele pode dar trabalho? Sim, vai dar trabalho. É inegável", disse. Segundo ele, a campanha de Flávio vai precisar pedir voto "incansavelmente" e apresentar propostas ao eleitor nas próximas semanas.
No primeiro turno, Augusto Cury ficou em terceiro lugar, com 2,89% dos votos válidos, e Renan Santos em quarto, com 2,25%. Brancos somaram 1,84% e nulos, 2,93%.
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