O vereador de Cuiabá Alex Rodrigues (Podemos) atribuiu a um almoço em Várzea Grande uma eventual menção ao seu nome na Operação Cathedra Venalis, deflagrada nesta terça-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A operação apura suspeitas ligadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Em nota divulgada pela assessoria, o parlamentar afirmou que foi convidado para o almoço por um amigo pessoal, também vereador, que permaneceu no local por cerca de duas horas e que saiu em seguida. Ele disse estar à disposição para prestar esclarecimentos.
O texto não informa quando o almoço ocorreu, quem fez o convite nem quem mais estava presente. Também não diz se policiais cumpriram mandado na casa, no gabinete ou em algum veículo de Alex Rodrigues.
“Devo satisfação à população cuiabana e a todos que me elegeram e confiam no meu trabalho. Estou inteiramente à disposição para prestar esclarecimentos e contribuir para que tudo seja devidamente esclarecido”, afirmou o vereador na nota.
Alex lembrou que foi secretário-adjunto de Obras por quatro anos e que está há um ano e oito meses no mandato na Câmara de Cuiabá. Segundo ele, sua atuação sempre foi pautada pela transparência e pela correção. O parlamentar também ressaltou que os fatos investigados dizem respeito a Várzea Grande e afirmou que vai aguardar o andamento das apurações.
A operação cumpre 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços ligados aos investigados em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, com mais de 200 policiais mobilizados. São alvos 15 vereadores, 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. Segundo o MPMT, a investigação apura suspeitas de atuação de organização criminosa, corrupção e obtenção de vantagens indevidas, com foco em possíveis irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O caso corre sob sigilo. Leia mais: Gaeco mira grupo de Wanderley em operação sobre compra de votos na Câmara de VG
O nome da operação vem do latim. Cathedra Venalis pode ser traduzido como “cadeira à venda” ou “cargo negociado”.
A eleição investigada ocorreu em 14 de maio e reconduziu Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara de Várzea Grande por 12 votos a 11. Uma semana depois, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a votação por ter sido feita antes do prazo fixado pela Corte. A investigação foi aberta em maio pelo coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Adriano Roberto Alves. De acordo com a denúncia encaminhada ao Ministério Público, vereadores teriam ficado hospedados em uma chácara no distrito da Guia nos dias anteriores à votação, vigiados por seguranças armados, e dinheiro teria sido usado para garantir votos à chapa vencedora.
A nova eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande, para o biênio 2027/2028, ainda não foi marcada. Até a publicação desta reportagem, o MPMT não havia divulgado a lista oficial de investigados.
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