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Política Domingo, 18 de Outubro de 2026, 10:31 - A | A

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LULINHA NA MIRA

Coronel Fernanda pede CPMI para investigar Lulinha e empresária

Requerimento foi apresentado no sábado, horas depois de Roberta Luchsinger dizer em entrevista que o filho do presidente se reunia com ministros do governo

Da Redação

Câmara Federal

Coronel Fernanda pede CPMI para investigar Lulinha após relatos de encontros com ministros

Coronel Fernanda pede CPMI para investigar Lulinha após relatos de encontros com ministros

A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) apresentou neste sábado (17) requerimento para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigue suspeitas de tráfico de influência, corrupção, favorecimento indevido e conflito de interesses envolvendo a empresária Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e agentes públicos federais. O pedido, que tem a participação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), foi motivado por declarações dadas por Roberta em entrevista a uma emissora de TV na noite de sábado.

Na entrevista, a empresária disse ter presenciado Lulinha em encontros com ministros do governo federal em diferentes ocasiões e afirmou que ele viajou até a casa do então ministro da Educação Camilo Santana (PT), no Ceará. Camilo deixou o ministério em abril deste ano. Roberta também relatou a participação de Lulinha em discussões sobre políticas públicas, principalmente as ligadas a medicamentos à base de canabidiol, e disse que pretende colaborar com as investigações em andamento.

Em nota, Lula afirmou que “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”. A defesa de Lulinha negou que ele tenha cometido qualquer irregularidade e disse que a relação dele com ministros sempre foi de caráter pessoal.

O requerimento propõe uma comissão com 15 deputados e 15 senadores, além do mesmo número de suplentes, e prazo de 90 dias, que pode ser prorrogado. Para sair do papel, a CPMI precisa da assinatura de um terço de cada Casa, o que equivale a 171 deputados e 27 senadores. Coronel Fernanda está recolhendo as adesões.

Pelo texto, a comissão deverá verificar se os encontros relatados existiram, quando aconteceram, quem participou e qual era a finalidade. Também deverá apurar se houve conversa entre particulares e autoridades para tratar de decisões administrativas, normas, contratos, autorizações, benefícios ou oportunidades de negócio.

As ameaças de morte que Roberta diz ter sofrido também entram na justificativa. Segundo o documento, ela afirmou temer pela própria segurança e pela das filhas e responsabilizou o presidente caso algo aconteça com ela ou com a família. O requerimento pede que esses relatos sejam examinados com cautela, com a checagem de boletins de ocorrência, mensagens e comunicações que ajudem a esclarecer se as ameaças existiram, quem as fez e em que circunstâncias.

“As declarações justificam o aprofundamento da fiscalização parlamentar sobre as relações entre interesses entre Roberta, Lulinha e agentes públicos”, afirmou a deputada.

Coronel Fernanda e Damares Alves foram as autoras do pedido de criação da CPMI do INSS, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Como integrante da comissão, a deputada chegou a pautar depoimentos de Roberta e de Lulinha.

Roberta é investigada pela Polícia Federal em um inquérito que é desdobramento da Operação Sem Desconto, a mesma que apura as fraudes no INSS. A PF investiga a relação dela com Lulinha e com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores do esquema. Segundo a investigação, a empresa da empresária recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes. Ela sustenta que os valores pagaram serviços na área de regulação do mercado de canabidiol e nega ter negócios com o filho do presidente.

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