Câmara Federal

Coronel Fernanda pede CPMI para investigar Lulinha após relatos de encontros com ministros
A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) apresentou neste sábado (17) requerimento para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigue suspeitas de tráfico de influência, corrupção, favorecimento indevido e conflito de interesses envolvendo a empresária Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e agentes públicos federais. O pedido, que tem a participação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), foi motivado por declarações dadas por Roberta em entrevista a uma emissora de TV na noite de sábado.
Na entrevista, a empresária disse ter presenciado Lulinha em encontros com ministros do governo federal em diferentes ocasiões e afirmou que ele viajou até a casa do então ministro da Educação Camilo Santana (PT), no Ceará. Camilo deixou o ministério em abril deste ano. Roberta também relatou a participação de Lulinha em discussões sobre políticas públicas, principalmente as ligadas a medicamentos à base de canabidiol, e disse que pretende colaborar com as investigações em andamento.
Em nota, Lula afirmou que “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”. A defesa de Lulinha negou que ele tenha cometido qualquer irregularidade e disse que a relação dele com ministros sempre foi de caráter pessoal.
O requerimento propõe uma comissão com 15 deputados e 15 senadores, além do mesmo número de suplentes, e prazo de 90 dias, que pode ser prorrogado. Para sair do papel, a CPMI precisa da assinatura de um terço de cada Casa, o que equivale a 171 deputados e 27 senadores. Coronel Fernanda está recolhendo as adesões.
Pelo texto, a comissão deverá verificar se os encontros relatados existiram, quando aconteceram, quem participou e qual era a finalidade. Também deverá apurar se houve conversa entre particulares e autoridades para tratar de decisões administrativas, normas, contratos, autorizações, benefícios ou oportunidades de negócio.
As ameaças de morte que Roberta diz ter sofrido também entram na justificativa. Segundo o documento, ela afirmou temer pela própria segurança e pela das filhas e responsabilizou o presidente caso algo aconteça com ela ou com a família. O requerimento pede que esses relatos sejam examinados com cautela, com a checagem de boletins de ocorrência, mensagens e comunicações que ajudem a esclarecer se as ameaças existiram, quem as fez e em que circunstâncias.
“As declarações justificam o aprofundamento da fiscalização parlamentar sobre as relações entre interesses entre Roberta, Lulinha e agentes públicos”, afirmou a deputada.
Coronel Fernanda e Damares Alves foram as autoras do pedido de criação da CPMI do INSS, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Como integrante da comissão, a deputada chegou a pautar depoimentos de Roberta e de Lulinha.
Roberta é investigada pela Polícia Federal em um inquérito que é desdobramento da Operação Sem Desconto, a mesma que apura as fraudes no INSS. A PF investiga a relação dela com Lulinha e com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores do esquema. Segundo a investigação, a empresa da empresária recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes. Ela sustenta que os valores pagaram serviços na área de regulação do mercado de canabidiol e nega ter negócios com o filho do presidente.
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