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Política Terça-feira, 03 de Novembro de 2026, 20:20 - A | A

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PROPINA EM OBRAS

Dorner afasta quatro servidores por 120 dias após operação contra esquema de propina em Sinop

Portaria do prefeito Roberto Dorner cumpre decisão judicial da segunda fase da operação do Gaeco que investiga propina para liberar habite-se de imóveis irregulares

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

Roberto Dorner

O prefeito de Sinop, Roberto Dorner, suspendeu por 120 dias quatro servidores da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação: o engenheiro civil Júlio Henrique Verdu Garcia, os fiscais de obras, posturas e urbanismo Valdinei Monteiro da Silva e Lucemar Felix e o auxiliar de serviços gerais Antonio Benedito Rodrigues. A portaria foi assinada na terça-feira (3) e publicada no Diário Oficial de Contas. Ela cumpre decisão judicial ligada à Operação Mãos à Obra, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que apura pagamento de propina a servidores para liberar projetos, certidões e habite-se. O afastamento conta desde 29 de outubro.

Júlio e Valdinei estão entre os cinco presos preventivamente na segunda fase da operação, deflagrada em 28 de outubro, Dia do Servidor Público. Lucemar e Antonio Benedito foram apenas afastados. Os quatro são servidores de carreira: Antonio Benedito trabalha na prefeitura desde 1991, Lucemar desde 2003, e Júlio e Valdinei desde 2008.

Segundo o Gaeco, os donos de uma construtora pagaram ao menos R$ 2,5 milhões em propina entre 2017 e 2026 para obter certidões de habite-se de quitinetes erguidas fora das regras. O levantamento preliminar aponta 106 imóveis irregulares em funcionamento em vários bairros da cidade, todos ligados à empresa investigada. Um servidor, apontado como líder, intermediava o dinheiro e repassava parte a outros fiscais para que as obras não fossem vistoriadas.

“A construtora erguia as obras para vender”, afirmou a promotora Roberta Cheregati Sanches, da 4ª Promotoria Criminal de Sinop, ao detalhar a investigação.

A Justiça bloqueou R$ 80 milhões do grupo investigado e da construtora, mandou sequestrar até R$ 3 milhões em ativos de cada um dos demais alvos e suspendeu as atividades econômicas da empresa. Foram cumpridos 17 mandados de busca, um deles dentro da Secretaria de Planejamento Urbano. A decisão judicial afastou seis agentes públicos, mas a portaria de Dorner lista quatro nomes.

A primeira fase da Mãos à Obra ocorreu em 28 de julho e teve como alvos dois fiscais de obras suspeitos de cobrar propina para aprovar projetos, com buscas nas casas deles e na sede da prefeitura.

Em nota, a prefeitura afirmou que “o Município e a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação não são alvos da investigação” e que as buscas se limitaram a documentos e computadores ligados aos servidores investigados. O Gaeco ressaltou que as medidas cautelares “não representam comprovação definitiva de responsabilidade criminal”.

Os quatro servidores ficam fora das funções até o fim de fevereiro de 2027, prazo que pode ser revisto pela Justiça.

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