
Flávio Bolsonaro revisa carta divulgada nos Estados Unidos e retira autoproclamação presidencial
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuou da autoproclamação como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e divulgou, nesta quarta-feira (28), uma nova versão da carta escrita nos Estados Unidos. No novo texto, ele se dirige ao povo brasileiro e à comunidade internacional “como o líder do Brasil”. A mudança aparece em dois trechos. Na abertura, “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” virou “o líder do Brasil”. No meio da carta, a frase “eu sou o presidente eleito” passou a ser “eu sou o líder”. A segunda versão saiu menos de uma hora depois da primeira e foi publicada no perfil do senador.
O restante do texto ficou igual. Flávio, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, continua chamando o resultado de “fraude eleitoral”, pedindo a cassação da chapa Lula-Alckmin e afirmando que vai “liderar a oposição” de fora do país. Ele mantém os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), que chama de “aparelhado pela organização criminosa petista”, e a acusação, sem provas, de que o ministro Alexandre de Moraes estaria “implicado em um imenso escândalo de corrupção”.
O símbolo no topo da carta também mudou. A nova versão traz o Brasão da República atual. A anterior, segundo reproduções que circularam nas redes, trazia o emblema de 1889, com a grafia “Estados Unidos do Brazil”.
A primeira versão foi divulgada horas depois de Flávio chegar à Flórida com a mulher e as duas filhas. Segundo a Direção Nacional de Migração da Argentina, a família saiu de Puerto Iguazú num avião que decolou às 23h30 de terça-feira (27) e fez escala no Equador. A Polícia Federal não encontrou registro de saída do senador por posto regular de migração no Brasil. No domingo (25), Moraes tinha mandado Flávio entregar os passaportes e o proibido de deixar o país, num inquérito sigiloso que apura suposta lavagem de dinheiro ligada a casas de apostas.
Em nenhuma das duas versões Flávio apresenta provas da fraude. Para sustentar a acusação, ele cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação do segundo turno por duas horas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 34.330 eleitores votaram depois das 17h, enquanto Lula venceu por cerca de 4,4 milhões de votos: 51,79% dos válidos, contra 48,21% de Flávio. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação não alterou o resultado.
A equipe do senador não explicou por que o texto foi alterado.
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