04 de Novembro de 2026
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Política Sábado, 31 de Outubro de 2026, 08:00 - A | A

Sábado, 31 de Outubro de 2026, 08h:00 - A | A

PAGAMENTOS EM FAMÍLIA

Genro e marido de prima de Novelli passaram a receber nos mesmos lotes do conselheiro

A partir de setembro de 2025, os dois assessores entraram nas mesmas ordens bancárias de Novelli, com parcelas de cerca de R$ 120 mil; PF fala em “nepotismo velado”

Rojane Marta/Fatos de MT

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novelli

O conselheiro José Carlos Novelli, afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso por ordem do STJ na Operação Tomada de Contas, recebeu R$ 8.874.885,75 do tribunal entre janeiro e outubro de 2025. R$ 7,34 milhões caíram fora do dia do salário, segundo a Polícia Federal. A partir de 3 de setembro, dois assessores ligados à família dele passaram a ser pagos nos mesmos lotes de ordens bancárias: o genro, Vitor Turri Romano, chefe de gabinete da comissão que o conselheiro preside, e Márcio Antônio Silvério, assessor técnico do Ministério Público de Contas, apontado como marido de uma prima de Novelli.

O salto nos pagamentos dos dois aconteceu no mesmo mês. Vitor recebia cerca de R$ 80 mil por mês até agosto. Em setembro, foram R$ 325,7 mil. A mesma ordem bancária de 3 de setembro pagou a ele duas vezes, em duas contas, R$ 60.046,99 e R$ 60.278,39. Depois vieram R$ 120.016,34 em 22 de setembro e R$ 120.093,45 em 22 de outubro. A PF fala em “nova e adicional parcela remuneratória de cerca de R$ 120.000,00, paga em duplicidade”. No total, Vitor recebeu R$ 1,07 milhão no período.

O parentesco entre Vitor e o conselheiro aparece, segundo a PF, na dedicatória da dissertação de mestrado de Novelli. “Informações disponíveis em fontes abertas indicam que Vitor Turri Romano é seu genro, o que materializa uma situação velada de nepotismo”, diz a representação. Márcio, até agosto, recebia parcelas fixas de R$ 11 mil pela rubrica de fornecedores, além do salário. Em setembro, recebeu R$ 320,4 mil, em quatro ordens, duas delas no mesmo lote do genro de Novelli. Em 22 de outubro, entrou mais R$ 100,2 mil. Ao impor as medidas, o ministro Og Fernandes escreveu que “deve ser esclarecido se a sua conta servia como conta de passagem de valores destinados a José Carlos Novelli”.

A comissão presidida pelo conselheiro, a Comissão Permanente de Infraestrutura, Tecnologia e Desestatização, concentra outros nomes da investigação. O técnico de controle externo Jocimauro Bento do Carmo, servidor efetivo desde 2001 e lotado nela, recebeu R$ 3.032.042,17 em 2025, com ordens semanais que subiram de cerca de R$ 41 mil para picos de R$ 151 mil e R$ 163 mil em setembro e outubro. Pela conta do tribunal, ainda recebia parcelas de R$ 105 mil lançadas como pagamento a fornecedor. Em 15 de setembro de 2025, escriturou um imóvel de R$ 860 mil em Cuiabá. No dia seguinte, as câmeras do posto do Sicoob dentro do TCE o filmaram saindo do caixa com blocos de dinheiro num saco de papelão. Ele voltou a ser filmado em 24 de setembro, 1º de outubro e 22 de outubro, quando guardou o dinheiro nos bolsos da calça. A PF lista dez veículos em nome dele, avaliados em R$ 1,15 milhão.

O secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Olavo Lage Filho, também é secretário executivo da mesma comissão. Recebeu R$ 888 mil no período, incluindo quatro parcelas de R$ 105 mil como fornecedor, e é sócio único de uma holding patrimonial. A parcela de R$ 105 mil paga como fornecedor aparece, segundo a PGR, para cinco pessoas: o próprio Novelli, Valter Albano, Gonçalo Domingos, Jocimauro e Olavo.

Os pagamentos ao conselheiro seguem o padrão de fatiamento descrito pela PF para outros investigados. Em 13 de fevereiro de 2025, uma única ordem bancária foi dividida entre Banco do Brasil, Itaú e Sicredi e somou R$ 488 mil no dia. Novelli, que presidiu o TCE em 2022 e 2023 e foi corregedor-geral em 2024 e 2025, também tem uma holding patrimonial com os cinco filhos. Ele esteve entre os conselheiros afastados de 2017 a 2021 na Operação Ararath, investigação que acabou arquivada.

O ministro suspendeu Novelli, Vitor, Márcio, Jocimauro e Olavo das funções, proibiu a entrada no tribunal e o contato com outros investigados, e determinou a entrega dos passaportes. Novelli e Olavo também estão proibidos de comprar ou vender bens acima de R$ 50 mil e de mexer em empresas sem autorização judicial. Os advogados Felipe Fernandes de Carvalho, Alex Jesus Augusto Filho, Caroline Scandelari Raupp e Laio Dayan Rodrigues pediram habilitação no processo em nome do conselheiro na quinta-feira (29).

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