O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) afirmou nesta terça-feira (6) que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem responder pelos seus atos como qualquer cidadão, inclusive com impeachment, se ficar comprovado que cometeram crimes. Em entrevista, o ex-governador de Mato Grosso foi questionado se a ampliação da bancada de direita no Congresso tornaria mais fácil o afastamento de integrantes da Corte. "Qualquer brasileiro, não importa o cargo que ele ocupa, se comprovadamente cometeu algum crime, esse brasileiro tem que sofrer as consequências previstas na lei", disse.
Mauro citou casos de presidentes, governadores, desembargadores e juízes que já foram afastados de seus cargos no país. Segundo ele, não há motivo para que ministros do Supremo sejam tratados de forma diferente, desde que haja processo legal e comprovação. "Não tem como dizer diferente disso", afirmou.
Na avaliação do senador eleito, o momento exige "equilíbrio, firmeza" e respeito aos limites de cada Poder. Ele disse que a sequência de conflitos entre as instituições não tem produzido resultados e afeta a economia. "O Brasil não aguenta mais viver esses desarranjos institucionais e essa briga e confusões a todo momento", declarou. Mauro mencionou os juros altos e os riscos de inflação, recessão e crise econômica, que, segundo ele, afastam investimentos do país.
O ex-governador também foi questionado sobre a CPI da Lava Toga, proposta no Senado para investigar integrantes de tribunais superiores e que não teve apoio do candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro. Mauro evitou comentar a posição do candidato e disse que o cenário atual é diferente. "Cada momento é um momento. Não dá para você julgar tudo o que vai acontecer no presente e no futuro baseado em apenas experiências do passado", respondeu.
Para ele, os eleitores cobram respeito e limites entre as instituições, e a regra vale para todos os Poderes. "Vale para o Senado, vale para o Supremo… e é uma exigência, é um clamor da população", afirmou. O senador eleito disse que quem ocupar cargos a partir de agora "e tiver juízo" terá de atuar para promover um "rearranjo institucional" no país.
Mauro Mendes renunciou ao governo de Mato Grosso em março para disputar o Senado. Ele foi eleito no domingo (4) com 1.187.352 votos, 33,21% dos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e assume o mandato em fevereiro de 2027.
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