04 de Novembro de 2026
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Política Sábado, 31 de Outubro de 2026, 08:00 - A | A

Sábado, 31 de Outubro de 2026, 08h:00 - A | A

ALÉM DOS PRESOS

PF rastreia dinheiro de ex-defensor-geral e consultor do TCE citados em denúncia contra Sérgio Ricardo

PF identificou “Fernando Vereio” e “André Prieto” como pessoas da “estrita confiança” de Sérgio Ricardo e rastreou depósitos em espécie declarados como honorários

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

 André Luiz Prieto

Dois dos quatro nomes citados na denúncia anônima que deu origem à Operação Tomada de Contas não aparecem entre os alvos de prisão ou afastamento decretados pelo ministro Og Fernandes, do STJ. São o consultor jurídico especial do Tribunal de Contas de Mato Grosso Fernando Marcio Vareiro, chamado de “Fernando Vereio” no texto anônimo, e o advogado André Luiz Prieto, ex-defensor público-geral do Estado. A Polícia Federal conclui que os dois são “pessoas da estrita confiança do Conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida” e rastreou movimentações de ambos, mas o processo não diz qual seria o papel de cada um.

O texto anônimo enviado ao Ministério Público Federal dizia que o dinheiro devolvido por fornecedores “é sacado pela chefe de gabinete Rose em uma agência do Sicoob localizada dentro do TCE. Participam Adriangelo, Fernando Vereio, André Prieto”. A chefe de gabinete, Roseli Loss, e o ex-cunhado do presidente, Adriangelo Barros Antunes, estão presos.

Fernando Vareiro foi nomeado no TCE em 2021, quando Sérgio Ricardo voltou ao cargo depois de quatro anos e nove meses afastado. Segundo a PF, a ligação entre os dois se deu “por operações imobiliárias”. Uma comunicação ao Coaf registra um depósito em espécie de R$ 105,2 mil feito por Fernando em 30 de outubro de 2024, com o motivo “honorários advocatícios”. Em 22 de outubro de 2025, ele recebeu um Pix de R$ 13.666,60 do presidente do tribunal. De acordo com a PGR, foi a única transferência de Sérgio Ricardo para outro investigado no período analisado, fora saques e movimentações entre contas próprias. O reconhecimento facial feito pela PF nas imagens do posto do Sicoob detectou um rosto compatível com o de Fernando em 30 de outubro de 2025, “em uma dinâmica que envolve dinheiro em espécie, embora a operação, aparentemente, não tenha sido concluída”. Em março de 2026, ele foi designado para a comissão de pronunciamento jurídico do tribunal.

André Prieto aparece por meio da esposa e de uma empresa. Paula Gomes de Souza Prieto foi nomeada no TCE quando Sérgio Ricardo voltou ao tribunal. Quando Roseli virou chefe de gabinete do conselheiro, Paula deixou esse cargo e foi nomeada chefe de gabinete da Presidência. Em 18 de março de 2024, a Prieto Assessoria e Consultoria provisionou R$ 250 mil para saque com André como sacador previsto. No mesmo dia, Paula sacou R$ 150 mil. Em novembro de 2025, André fez depósitos de R$ 100 mil e de três vezes R$ 50 mil, declarados como honorários, nas contas da empresa, na dele e na de uma agropecuária da família. Segundo a PF, a empresa de consultoria transfere com intensidade para essa agropecuária, que concentra operações em Amambaí (MS), na fronteira, o que “pode se relacionar à localização de eventual propriedade rural”.

A investigação ainda está aberta, e o STJ autorizou buscas em endereços de 29 alvos num procedimento separado, cuja lista não consta desta íntegra. A PF registra que os depósitos de André e Fernando foram declarados como honorários, e nenhum dos dois é acusado no processo de ter recebido parte dos valores investigados. O espaço segue aberto para manifestação de Fernando Vareiro e André Prieto.

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