O PL reconheceu oficialmente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas atribuiu a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno a um “cenário marcado por medidas fortemente eleitoreiras, com impacto econômico e social”. Na nota divulgada no fim da tarde desta segunda-feira (26), um dia depois da votação, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirma que “a ampliação expressiva dos gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação levanta questionamentos sobre os efeitos dessas medidas em um processo eleitoral justo”. O texto não diz quais medidas seriam essas. “Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”, diz a nota.
O comunicado foi publicado no perfil de Valdemar no Instagram, em postagem conjunta com outras duas contas, e em cerca de uma hora reunia mais de 22 mil curtidas e 2,1 mil comentários. Entre eles, o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que escreveu “Vamos até as últimas consequências”, com um emoji de alerta. Outros comentários com mais engajamento criticavam o partido por aceitar o resultado.
A nota começa pelo desempenho de Flávio no primeiro turno. “Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno das eleições presidenciais, com uma vantagem de 2,2 milhões de votos. No segundo turno, porém, o resultado foi diferente”, diz o texto. Pelos dados do TSE, Flávio teve 47,03% dos votos válidos em 4 de outubro (56.104.503), contra 45,16% de Lula (53.879.538). No domingo (25), com 99,92% das seções apuradas, Lula venceu com 51,77% (64.191.001 votos), contra 48,23% de Flávio (59.798.094). A diferença foi de 4,39 milhões de votos. O TSE declarou o resultado matematicamente definido às 21h08 (de Brasília). Lula toma posse do quarto mandato em 5 de janeiro de 2027.
Valdemar também usa a nota para destacar o resultado do partido nas eleições para o Legislativo e para os governos estaduais. Segundo o PL, a sigla terá 121 deputados federais, 29 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e seis governadores. “É uma demonstração da força do partido e da confiança de milhões de brasileiros nas ideias que defendemos”, diz o texto.
O presidente do PL termina dizendo que o partido seguirá “acompanhando os fatos e buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições” e que continuará “firme, atuando com independência e responsabilidade na defesa da democracia, da liberdade e dos valores que representamos”. A nota não fala em contestar o resultado na Justiça Eleitoral nem em pedir recontagem.
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