A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), confirmou que a administração municipal trabalha para conceder à iniciativa privada os serviços de saneamento básico da cidade, incluindo o abastecimento de água e o tratamento de esgoto. Segundo a prefeita, o novo plano municipal de saneamento, que prevê a concessão privada, deve ser publicado para consulta pública depois de 15 de junho, seguido de audiências abertas a moradores, autoridades e empresários.
De acordo com Flávia Moretti, a concessão é uma forma de transferir a operação dos serviços de saneamento e organizar o setor na cidade pelas próximas duas a três décadas. A prefeita afirmou que o plano detalhará como o serviço será prestado nesse período e que a etapa de consulta e audiências servirá para que a população tome conhecimento do modelo antes de sua implementação. Pelo cronograma que apresentou, a divulgação do plano está prevista para a segunda quinzena de junho.
O diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), Rogério de França Martins - o Rogérinho Dakar, sustentou que o saneamento hoje é um entrave ao desenvolvimento do município. Segundo ele, a falta de estrutura tem impedido novos empreendimentos, já que construtoras enfrentam restrições para erguer obras em razão da deficiência na rede. Para a gestão, destravar o saneamento teria efeito não apenas sanitário, mas também sobre a atividade imobiliária e comercial da cidade.
A prefeita afirmou ainda que a prefeitura entregou ao Governo do Estado o projeto de um coletor que ligaria a região do São Mateus à estação de tratamento Santa Maria, e que o governo sinalizou de forma favorável, com a proposta encaminhada à análise técnica da Secretaria de Estado de Infraestrutura. O tema foi tratado em um encontro com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), voltado a investimentos em saúde e educação, no qual, segundo a prefeita, também foram apresentadas demandas de infraestrutura do município.
A concessão é anunciada em meio à tensão entre a prefeitura e a Câmara de Várzea Grande. Em paralelo às tratativas do saneamento, Flávia Moretti tem reclamado da tramitação de projetos no Legislativo e do limite de 5% para remanejamento orçamentário fixado pelos vereadores, que ela considera insuficiente diante de um orçamento municipal da ordem de R$ 2 bilhões. A relação com o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), é de embate aberto, e o futuro do saneamento, por envolver a estruturação de um serviço essencial por décadas, tende a se somar aos pontos de disputa entre os dois poderes. Procurado o detalhamento do edital e das etapas seguintes, o cronograma efetivo dependerá da conclusão da consulta pública e das audiências previstas pela própria gestão.
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