18 de Outubro de 2026
00:00:00

Brasil Domingo, 18 de Outubro de 2026, 10:36 - A | A

Domingo, 18 de Outubro de 2026, 10h:36 - A | A

IMPACTO NA ECONOMIA

Interior de MT pode perder 6,5% da renda com congelamento de benefícios, aponta USP

Estudo da USP aponta que aposentadorias, Bolsa Família e BPC chegam a quase metade do orçamento das famílias mais pobres e sustentam o comércio das cidades pequenas

Rojane Marta/Fatos de MT

Criada por IA/Ilustração

corte de beneficios

Congelar ou cortar o valor de aposentadorias, do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pode provocar uma retração severa na economia das cidades do interior do Brasil. A conclusão é de um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), divulgado nesta semana. Pelas projeções, sem reajustes acima da inflação, a renda total dos municípios fora das regiões metropolitanas ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar alcançado com a valorização dos benefícios.

O dinheiro desses programas pesa duas vezes mais no interior do que nos grandes centros. Dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil ficam fora das regiões metropolitanas, e é neles que as transferências públicas têm maior participação na renda. No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários respondem por 22% da renda da capital e da região metropolitana. No interior do estado, a fatia sobe para 40%.

Para as famílias mais pobres, os benefícios chegam a representar quase metade do orçamento. “Como o valor recebido por essas famílias é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa”, afirma a economista Luiza Nassif, professora da Unicamp e pesquisadora do Made.

Os pesquisadores projetaram o comportamento da renda no interior para os próximos três anos em dois cenários. Um repete a regra aplicada entre 2022 e 2025, quando aposentadorias e BPC tiveram aumento real. O outro reproduz o período de 2019 a 2022, sem ganho real do salário mínimo e com congelamento total. A diferença entre os dois resulta na queda de 6,8% a 10,8%, segundo o estudo, com efeito em cadeia que atingiria até as famílias que não dependem de ajuda do governo.

Confira as últimas notícias do  Fatos (CLIQUE AQUI)

Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)

Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).

Os estados do Norte e do Nordeste sairiam mais prejudicados. No interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí, a renda total cairia de 17% a 18%. Amazonas, Sergipe e Pernambuco perderiam cerca de 15%, e Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia, entre 10% e 13%.

Mato Grosso aparece no grupo com o menor impacto, ao lado de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nesses estados, a perda de renda no interior chegaria a 6,5%.

O levantamento também simulou o efeito sobre a pobreza. Sem os ganhos reais concedidos entre 2022 e 2025, cerca de 2,7 milhões de pessoas que vivem fora das regiões metropolitanas teriam caído na pobreza, 2,4 milhões delas na extrema pobreza. Em números absolutos, os maiores aumentos ocorreriam na Bahia, com até 336 mil pessoas a mais, em São Paulo, com até 263 mil, e em Minas Gerais, com até 251 mil. Maranhão, Pará e Ceará teriam mais de 200 mil pessoas cada.

Segundo Luiza Nassif, nas famílias com renda de até 1,5 salário mínimo por pessoa, os benefícios podem responder por metade do rendimento. “Para quem vive no limite, qualquer reajuste abaixo da inflação empurra a família diretamente para a pobreza”, diz.

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

[email protected]